Breaking News

Vândalos destroem estátua de Orixá no Distrito Federal

DEZEMBRO 29TH, 2015  DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR BRASIL

 

20151229193043696686i
O morador de rua amarrou a estátua para que o cajado e a mão da entidade não caíssem no chão. Foto: Ògan Luiz Alves.

 

Representantes de religiões de matrizes africanas do Distrito Federal denunciaram mais um ataque de intolerância contra símbolos sagrados. Um grupo de três pessoas tentou arrancar o cajado da estátua de Oxalá na Praça dos Orixás, na Prainha do Lago Paranoá. O ato de vandalismo aconteceu dias antes de uma das mais importantes comemorações dos praticantes. Um morador de rua impediu que a peça fosse completamente destruída.

Segundo o coordenador do Fórum Permanente das Religiões de Matrizes Africanas de Brasília e Entorno (Foafro), o ógan Luiz Alves, os religiosos souberam do ataque nessa segunda-feira. “Ontem fomos à Prainha para acompanhar a montagem das estruturas para a virada. Quando chegamos, eu, o Pai Rafael e o Ogan Wilson fomos parados por moradores de rua que nos contaram a história”, contou.

O morador de rua relatou à Luiz Alves que, na semana passada, um carro branco com três pessoas parou no local. Dois homens desceram do veículo, cerraram a mão da estátua da entidade e tentaram arrancar o cajado, também chamado de Opaxorô. A testemunha correu em direção ao grupo pedindo que não fizessem aquilo. “Segundo o morador nos falou, eles correram para dentro do carro e arrancaram. Quase o atropelaram. Foi quando ele conseguiu ver a mulher”, relatou Luiz Alves.

O morador de rua amarrou a estátua para que o cajado e a mão da entidade não caíssem no chão. Após tomar conhecimento do ataque, Luiz e as outras autoridades presentes resolveram inspecionar todas as estátuas e também acharam um tijolo largado próximo à representação de Iemanjá, e uma marca nas vestes da entidade. “Essas pessoas (os moradores de rua) nos ajudam. Eles vivem no local e acabam protegendo as estátuas. Estamos em débito com eles. A vigilância é pouca. Eles evitaram que algo pior acontecesse”, disse.

Vítimas do ódio

A proprietária do terreiro Axé Oyá Bagan, incendiado em 27 de novembro, Adna Santos de Araújo, 52 anos, mais conhecida como Mãe Baiana também comentou o ataque. “Se uma pessoa faz um negócio desse nessa época do ano e na calada da noite, estamos certos que se tratou de mais um caso de intolerância religiosa. Nós estamos inseguros, nossos terreiros estão inseguros. A falta de respeito e a baderna são grandes. Esperamos que o governador Rodrigo Rollemberg cumpra com o compromisso de criar uma delegacia especializada em crimes contra religiões de matrizes africanas”, disse.

Mãe baiana espera o laudo da Polícia Civil que dirá se o incêndio no terreiro no Paranoá foi criminoso. “Somos o único terreiro no Brasil que não poderá fazer nada para Iemanjá esse fim de ano. Contamos com ajuda para a reconstrução. Ainda não temos o laudo da perícia”, lamentou.

Fonte: Diário de Pernambuco
www.diariodepernambuco.com.br

 

Extraído do site de notícias Boa Informação
http://boainformacao.com.br/2015/12/29/vandalos-destroem-estatua-de-orixa-no-distrito-federal/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *