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Vidente se diz perseguida por igreja

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Irmã Nathalia diz que é vidente, mas se interessa pelos santos católicos: “católica e espírita”(Foto:Daniele Reis)

 

 

Religiosa reclama que imagem de Nossa Senhora foi arrancada e quebrada. Igreja evangélica não se pronuncia quanto a acusação

 

O Brasil é um País laico. Isso significa que não há uma religião oficial e que o Estado deve manter-se imparcial no tocante às religiões. Também cabe a cada denominação da fé respeitar os princípios da outra. Ainda que nenhuma delas esteja passível de crítica. Ao contrário disso, pode haver um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana. Um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas ou a quem não seguem determinada crença pode ser considerado intolerância religiosa. É o caso da vidente Tânia Aparecida, mais conhecida como irmã Nathalia, que afirma ser vítima de perseguição de igreja evangélica.

A vidente que possui consultório, na Avenida T-63, no Setor Nova Suíça, em Goiânia, diz que a imagem de Nossa Senhora de Aparecida, que ficava em frente a casa dela, foi arrancada e quebrada. Pelo crime, ela aponta membros da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) como principais suspeitos. Isso porque, de acordo com irmã Nathalia, pastores do templo haviam desrespeitado sua liberdade religiosa. “No último domingo (25), eles (Igreja Universal) pintaram a parede lateral do prédio e apagaram a propaganda do meu trabalho”, afirma.

 

Violação

Por isso, para irmã Nathalia, não há dúvidas do autor que “agrediu” a imagem religiosa. “Há menos de uma semana, esta igreja se instalou ao lado do meu consultório. Desde então, faltam o respeito comigo. Se já não bastasse entrar na minha propriedade e pintar minha parede sem permissão, ainda destruíram a imagem de Nossa Senhora de Aparecida”, frisa. O local também faz parte da residência da vidente, que se denomina como católica e espírita. “Há mais de 30 anos moro nesta casa. Criei meus filhos aqui”, ressalta.

A irmã Nathalia conta ainda que enfrenta outro problema com a igreja. “Eles colocam sacos de lixos na porta da minha casa, já pedi para que não fizessem isso, mas não adiantou. Quando tento conversar com eles (pastores) para chegarmos a um acordo de convivência, me olham com discriminação. Igual cão raivoso. Penso que evangélico deveria ser mais educado, mais irmão. Jesus não pregava o ódio, mas o amor entre as criaturas”, reconhece.

A reportagem procurou pastores e membros da igreja, situada no Setor Nova Suíça, para comentar o caso, mas ninguém quis se manifestar. Contudo, a equipe do Diário da Manhã levou o fato, naquele momento de apuração, ao conhecimento do pastor Diego, que estava presente no templo. Ele, porém, usou o direito do silêncio.

 

Coincidência

Em 1995, um episódio de intolerância religiosa ofendeu a fé dos católicos brasileiros, quando um bispo da Iurd, em rede nacional, desferiu socos e chutes a imagem de Nossa Senhora Aparecida. A agressão provocou forte indignação nos católicos e em seguidores de outras religiões, inclusive evangélicas. O direito de criticar encaminhamentos e dogmas de uma religião, desde que isso seja feito sem desrespeito ou ódio, é assegurado pelas liberdades de opinião e expressão. Crítica não é o mesmo que intolerância.

A Lei 9.459, de 1997, considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões. Ninguém pode ser discriminado em razão de credo religioso. O crime de discriminação religiosa é inafiançável – o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade – e imprescritível (o acusado pode ser punido a qualquer tempo). A pena prevista é a prisão por um a três anos e multa.

 

Extraído do site do Jornal Diário da Manhã
http://www.dm.com.br/cidades/2015/01/vidente-se-diz-perseguida-por-igreja.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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1 Comment

  1. armando

    Minha irmã, já ouviu aquela música que diz que madeira de dar em doido é jequitibá ?
    Com fanáticos abusados não tem que ter diálogo, é responder à altura. Sendo enérgica e descendo o nível se for preciso.
    Contrate uns três seguranças, munidos de porretes ou devidamente armados. E espere pela visita dos “crentes” a sua residência. Instrua-os para só dar no meio da cara, se reagirem, mande atirar no joelho. É assim que se lida com marginal fantasiado de religioso.
    Não se preocupe, pois é invasão de residência, depedração ao patrimônio privado e legitima defesa, pois sua vida corre perigo. Depois, chame a polícia.
    Instale câmeras por toda a propriedade.

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