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Xirê das águas-Orayê ôh

Saudação a orixá é nome da peça que a Cia Gente Falante encena logo mais à noite, no Sesc Arsenal

Da Redação

O destaque do domingo fica mesmo por conta do Palco Giratório. Nele, a partir das 19h, quem se apresenta é a Cia Gente Falante, do Rio Grande do Sul (informações ao final da matéria, no serviço).

A história retrata um dia de pesca incomum em Nossa Senhora de Santana, pois Iemanjá foi pescada e feita refém pelos padres da congregação da cidade. Obrigada a rezar o terço e permanecer encerrada em uma das naves da igreja, a sereia conhece Brawn, o sacristão.

Ela o atrai com seu canto de sedução e dor e os dois trocam juras de amor através do buraco da fechadura. O casal planeja uma fuga no dia dois de fevereiro, durante a procissão.

Por causa disso, todo ano, no mês de fevereiro, o povo que descende daqueles que participavam da antiga procissão, os que ficaram sabendo daquela lenda e até os que não sabiam muito bem do fato, lançam ao mar presentes para a mãe do mar, com pedidos de desculpas pelos maus tratos e pela falta de respeito que tiveram com a grande divindade que ela é.

Suplicam à Senhora do mar que traga de volta a prosperidade, aniquile a fome e realize seus milagres. Essa é a história contada pelos pescadores da região do Bairro do Rio Vermelho, Salvador, que serve de mote à encenação dos gaúchos. Como na canção de Dorival Caymmi: “Dia dois de fevereiro, dia de festa no mar. E eu quero ser o primeiro a salvar Yemanjá”.

Outra versão da mesma história diz que nas margens de uma lagoa de águas negras como o céu noturno e cercada por dunas de areias brancas, uma aldeia indígena se estabeleceu.

Naquele lugar se banhavam e pescavam as índias somente. Os homens da tribo eram permanentemente proibidos de aproximarem-se das suas margens, pois sumiam magicamente. Em uma noite clara, de lua cheia, o grande Cacique Tupi Verá em sonho recebeu de Tupã duas verdades. Através de sua esposa Jandira enviarei um grande líder para esta aldeia; reesolverás o mistério destes desaparecimentos através deste que será o grande chefe e ele se chamará Abaeté.

Esta lenda indígena fala sobre o amor desse grande guerreiro e Iara, a Oxum bela e misteriosa da lagoa escura. Esta história sobreviveu através das práticas da oralidade mantidas pelas lavadeiras e populares moradores da região do Abaeté em Salvador.

O espetáculo usa de tudo um pouco pra trazer à luz a versão desta história de muitas histórias: teatro negro, sombras, bonecos de varas, máscaras, boneco gigante, boneco miniaturizado, teatro de figuras.

Segundo os próprios integrantes da companhia, a intenção de “Xirê das águas” é reverenciar as etnias, sistemas de crenças e manifestações artísticas e plásticas, formadores da cultura brasileira, miscigenada, plural, multifacetada e genuína em sua constituição.

GRÉCIA E BRASIL

Pra isso, a Cia Gente Falante revisita mitos clássicos da sereia grega e os transpõe ao contato com os mitos indígenas e afro-brasileiros. A busca é mostrar a riqueza de nossa cultura e o que pode provocar de movimento revitalizador de olhares para os nossos bens culturais, congregadores de respeito entre os cidadãos de diferentes tezes de pele, status social e crenças no inefável.

Coletada da cultura popular oral, essas histórias de pescadores, histórias que o povo conta, são, de acordo com definição deles mesmos, “materializadas no espetáculo para festejar a força da fé que tem o povo brasileiro, perpetuando sua sabedoria, seus referenciais estéticos e éticos”.

A esses aspectos, procuram agregar a experiência do exercício de 17 anos de animação com bonecos, com um breve passeio pela dança (bonecos coreografados) e a opção pela obra mímica para torná-la acessível e universal a todos os povos. A classificação etária é livre e a duração, de menos de meia hora.

SERVIÇO

O QUE: “Xirê das águas-Orayê ôh”, da Cia Gente Falante (RS), dentro do Palco Giratório.

QUANDO: Hoje, às 19h.

ONDE: Teatro do Sesc Arsenal.

QUANTO: 1 litro de leite longa vida (chegar uma hora antes do espetáculo para retirar os ingressos na recepção, do outro lado do espaço).

 

Extraído do site Diário de Cuiabá

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=450720

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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